Está
calmo. É noite e cá dentro passadas as portas de vidro, vive-se num mundo cuja
barreira não apenas física, mas principalmente psicológica, se altera. O ar
muda, fica à porta muito de nós, entra connosco o melhor que temos adicionando
a maior carga possível de boa energia. Por vezes, as nossas mochilas pessoais,
sacos térmicos e malas não permitem levar muito mais connosco, mas cá dentro,
na alma, cabe muito. Seja para levar o que temos, seja para trazer o que nos
dão.
Falo
e escrevo, na perspectiva de um profissional de saúde deste serviço. Já muitas
vezes se abriram as portas “a estranhos”, todos são bem-vindos, quando assim é
possível e quando o risco para os “nossos meninos” não se eleva perante os
benefícios dessas entradas. Contudo, apesar dessas visitas, só quem mora por cá
percebe o que escreverei, seja na perspectiva de doente, seja na perspectiva de
cuidador, formal ou informal.
Enquanto
cuidadores – pais, avós, tios, primos, amigos ou simplesmente pessoas de
referência – essa visão já foi, outrora descrita (e bem). Dessa forma, foi-nos
permitido entrar por meros minutos, na cabeça de quem tem um ser que ama a
percorrer um caminho moroso, sinuoso e, por vezes, nada previsível. Quero agora
mostrar através dos meus olhos, como vivo neste meu mundo, naquela que é
graciosa, e orgulhosamente, a minha segunda casa.
Escrevo
este texto após mais uma (longa) noite de trabalho. Como adjectivo que a
descreva, apenas usarei, para já, a palavra longa.
Fez-se
noite cedo neste dia de Inverno. Preparei-me para entrar no meu local de
trabalho. Vou de coração apertado, ansioso e receoso por entrar, pois o serviço
está cheio de crianças, de todas as idades, em várias fases de tratamento, com
diversas patologias e muitas delas, nossas conhecidas. Muitas com intuito
curativo, outras com um triste fim anunciado, onde o alívio de sintomas é a
prioridade principal.
Ao
chegarmos a este hospital a aura, por si só emanada pela sua existência e pelas
energias de quem ali trabalha e é cuidado, sente-se como se uma bolha de
humanismo nos pudesse invadir e não sabemos sequer de que direcção vem. A esta
hora, 22h, já pouco movimento se vê, os estabelecimentos de apoio estão a
fechar, os serviços de atendimento diurnos, responsáveis por receber grande
parte do movimento do instituto, há muito que encerraram, e as últimas visitas
dos pacientes, que teimosamente foram ficando, saem. Ficamos nós, que entramos
para o trabalho, e os que já estavam a cumprir o seu dever, sem falar no
principal oxigénio deste organismo, e que nos move, os doentes.
Após
dar entrada, passar pelo segurança e subir pelo elevador, dando os últimos
retoques e preparativos para entrar ao trabalho, chego ao 7º piso e, quer se
acredite ou não, é uma viagem demorada e, tantas vezes associada a uma viagem
de comboio urbano da linha de Sintra, onde as paragem são feitas em todas as
estações e apeadeiros, neste caso em particular, vulgarmente conhecidos por
pisos e serviços. Ao longo desta viagem, vão sendo recolhidos passageiros,
todos vestidos de branco ou azul, e distribuídos pelas suas “estações”. As
expressões emanadas pelos seus rostos são, desde sorrisos rasgados associados a
cumprimentos, até expressões de sono e distracção de quem deambula sob efeito
de “piloto automático”.
Chegamos
então, às tão aclamadas portas de vidro que selam aquele local misterioso. Não
podiam estar noutro local, no mais alto patamar do edifício e de frente para a
capela, onde as preces diárias de dezenas de pessoas, profissionais, pacientes
e familiares, são libertadas sob muitas formas, em busca de respostas, com o
coração carregado de energias e sentimentos ora bons, ora maus. Apenas em busca
de Alguém que os ouça, Alguém que os entenda, Alguém que lhes estenda a mão, e
lhes dê paz na alma.
Nós,
enfermeiros carregados de malas, mochilas, sacos e sacolas, como já referi,
levamos bens-pessoais, comida para várias possíveis refeições (como se nós
conseguíssemos ingerir sequer metade delas) e principalmente, levamos uma carga
que não nos ocupa espaço físico, mas pesa. E se pesa. Falo de emoções, de
expressões e de vontades, que inconscientemente escolhemos cuidadosamente para
levar connosco. Tudo isto passou hoje comigo, uma vez mais, por estas portas de
vidro.
Fardo-me
e bebo o meu primeiro café, o meu combustível físico para aguentar mais um
moroso turno da noite. Sento-me e olho em meu redor, vejo os meus colegas e não
me agrada o que me transmitem. Não preciso de ver uma gota de suor nos seus
rostos para ver o estado de exaustão, basta para isso ver as olheiras, o passo
apressado, o cabelo desgrenhado, a respiração ofegante e ver – falo de ver
realmente, com olhos e com o coração - as bancadas de trabalho e a mesa onde
nos reunimos 3 vezes por dia. Tenho em mim duas opções para o explicar: ou passou
um furacão ou foi uma tarde caótica de trabalho. Não questiono porque sei a
resposta: foi a segunda opção.
Olho
para a folha que tenho para receber o meu turno, escrever informações
importantes de quem vou cuidar. Vejo muitos nomes, nomeadamente sete (oito no
caso de outra colega), espalhados cuidadosamente numa folha A4, para que seja
possível escrever tudo o que importa, de todos e cada um. A folha tem muitos
nomes, o que por si só, determina que a minha ansiedade ao ir trabalhar, estava
certa. Não há espaço para reclamar, mas fazemo-lo: verbalizamos desagrado,
emitimos onomatopeias, lamurias, rimos em conjunto (como visível efeito da
ansiedade que nos levaria para um de dois caminhos: o choro ou o riso.
Escolhemos habitualmente o segundo, felizmente) e prosseguimos. Entre os que
saem muito depois da hora estabelecida e nós, que queremos e pretendemos
prosseguir os cuidados, gera-se uma fase inicial atribulada naquele nosso
espaço. Há pressa para chegar a todos aqueles que temos para cuidar, no tempo
que temos para o fazer, que nunca é suficiente. A sala de enfermagem, que se
pretende que contenha os momentos atribulados, os sentimentos adversos e sele a
passagem de tudo isso para o exterior, evitando transparecer para as crianças quaisquer
sentimentos negativos, acaba por não cumprir o seu papel e, entre tantas
entradas e saídas e o ranger da porta, é visível a ausência de calma e de uma
presente agitação.
Nesta
longa noite que passou, senti necessidade de escrever este texto e não o consegui
fazer, por falta de tempo para isso. Precisava de calma, de espaço e de tempo,
que não tive. Contudo, no escuro criei ideias para transpor, descrevi frases e
conceitos e organizei sentimentos.
As
primeiras horas são definidas como correria, avaliando sinais vitais, fazendo
dezenas de metros para observar as crianças e cumprir horários de medicação,
tentando enquanto enfermeiro responsável que quero ser, estar em 7 quartos no
mesmo exacto minuto para que os antibióticos (por exemplo) não falhem a sua
hora. Pois lamento transmitir que não consegui, o mundo dos super-heróis
ficcionais era o único que me permitiria cumprir isso. Contudo, sendo humano, a
velocidade que consigo atingir, é limitada. Falo e distingo o termo de super-heróis
ficcionais por uma razão, esses existem nas séries, livros e filmes que temos
acesso actualmente mas engane-se quem desacredita na existência de super-heróis
reais. Desses, tenho comigo no serviço 22, mais umas centenas em suas casas ou
lares temporários.
É
por eles que ali estou, por eles que ali estamos todos. Toda a equipa
multidisciplinar que ali exerce funções. Mas como enfermeiro que sou, a visão
que quero passar, e que me é possível, desculpem-me os restantes, é a da minha
profissão.
Somos
nós os elementos presentes 24 horas por dia, 7 dias por semana e 365 (ou 366)
dias por ano. Nesta noite, no silêncio destes corredores, fecho os olhos e
escuto. O corredor está vazio, isento de movimento a esta hora e a única coisa
que se vai alterando é o som de campainhas, o vermelho das mesmas reflectido no
chão lavável, nos vidros que dividem os dois corredores do serviço, ou
simplesmente as que não se repercutem nas lâmpadas das portas mas que sabemos
que, lá dentro, alguém chama por nós. Chamam por dores, náuseas ou vómitos, por
ter terminado alguma das mil medicações que administramos, porque a bateria de
alguma das suas máquinas terminou, para algum tipo apoio emocional ou, até
apenas, por engano. Já para não falar no resto da lista infinita de
possibilidades.
É
verdade, tocam a campainha e chamam-nos. Precisam e nós vamos, sem qualquer
problema. O que mais me apercebo, no entanto, é que pode estar a ser um turno mau
(em que, tal como os meus colegas do turno anterior, é notório o enorme
desespero por se sentirem incapazes de cumprir todas as obrigações no seu tempo
devido), mas dou por mim, a abrir cada porta, ir à minha mochila mental e
inconscientemente, coloco o meu melhor sorriso antes de dizer: “Boa noite! O
que aconteceu? Precisa de alguma coisa?”. Por muito cansado, por muito
frustrado comigo, por muitos problemas que tenhamos na vida, ali deixam de
existir, aquelas crianças levam-nos a um estado de transcendência que a mim,
enquanto enfermeiro, enquanto Mário, me dá um sentido à profissão e mais, me dá um
sentido enquanto pessoa!
Passam-se
horas em que as campainhas parecem combinadas entre si, em modo de melodia, e
lá nos dividimos entre o que podemos, para chegar a todos. Umas noites melhores
que outras e a calmaria não é proporcional ao número de crianças. Por vezes,
por uma questão de simples resolução, deslocamo-nos ao quarto de uma criança e
acabam por passar horas. Acontece porque o medo e as dúvidas dos pais se
multiplicam, porque a ligação que temos com essa criança é tal, em que
simplesmente a energia que também precisamos obter, é conseguida em tempo de
qualidade com ela, ou porque somos perfeccionistas e as coisas demoram a ser
feitas com pormenor.
Somos
humanos antes de seremos enfermeiros e como tal, a ligação que criamos com cada
criança, cada familiar, não é igual. Enquanto enfermeiros desempenhamos os
nossos cuidados de igual forma a todos, dando o nosso melhor, mas quando se
tratam de “ligações coração-coração” com famílias e pacientes, o caso é
diferente. Neste serviço, como disse no início, de crianças recém-nascidas a
adolescentes, qualquer que seja a razão, as ligações pessoais têm diferentes
intensidades e não se explicam. Somos humanos e somos sociais e tal como
qualquer adulto, estes pequenos enormes heróis escolhem-nos também eles, como
enfermeiros.
Um
turno como a noite, geralmente mais silencioso, passado num longo corredor
verde água, com paredes recheadas de brindes, oferecidos por ídolos dos mais
pequenos (desde jogadores de futebol a músicos e cantores, entre outros),
quadros e personagens ficcionais de animais, contrasta completamente com um
turno como a manhã ou tarde onde, esse mesmo corredor é inundado de vida. Onde,
se fecharmos os olhos, ouvimos conversas aleatórias de familiares que ali se conheceram
e se uniram como apoio nesta dura luta dos seus dependentes, profissionais que
passam com passos largos por todos, para chegarem a todo o lado, rodas de
suportes de soros (carinhosamente chamados, muitas vezes, por bobby’s) e de
triciclos, choro de crianças sujeitas a algum procedimento, por fome ou
simplesmente contrariadas na sua vontade. E vêem-se sorrisos e ouvem-se risos.
Muitos sorrisos se passam ali, ao contrário do que a maioria das pessoas pensa.
As
crianças com cancro não passam a vida a chorar, não passam a vida deprimidas e
muito menos, abandonadas a um canto, sem família. Os sorrisos nunca são demais
e são constantes. Acreditem que a maioria dos sorrisos largados no meio destes
corredores e quartos é das crianças que ali estão, e não dos profissionais (e
olhem que nós temos muitos sorrisos para dar, e enormes! Em nome do melhor que
sabemos e do melhor lado que nos é exigido, por parte destes grandes e
maravilhosos seres).
Há
tanto para escrever sobre a forma como cuidamos, como damos de nós, como somos
recebidos nos braços e carinhos destas crianças, mas eu fiz noite e ainda não
dormi. Como referi aqui neste texto, sou humano e isso implica que o sono venha
e o cansaço acumule. Para, enquanto enfermeiro, cuidar de crianças com cancro,
não é preciso coragem, é preciso coração, é preciso amor. Não porque não o
tenham, mas porque o processo que têm de passar é complicado e atribulado e a
balança das emoções, tem de ser equilibrada. Para más energias já bastam as da
doença. Nós, enfermeiros, jogamos do lado da equipa das crianças, vamos à
baliza e vamos à frente, lado a lado com elas e com as famílias, porque disso
depende o preço da nossa alma e da nossa consciência humana.
Quando
acharem que para lá daquelas portas de vidro automáticas, mora apenas pesar e
dor, acreditem que num pequeno enfermeiro, mora amor. Moram sorrisos e o choro,
esse, mora quando o amor magoa e faz às crianças aquilo que, neste processo,
vai sendo exigindo. Como qualquer guerra, não se vence sem várias batalhas.
Batalhas
essas, que também as perdemos e nem tudo é colorido, é um facto. Resta-nos usar
as armas que temos, os dois braços que possuímos e a boca ligada à alma e ao
coração, para dar um abraço, ceder um ombro e seja com palavras, ou com
silêncio apoiar o processo que é uma das maiores lutas da humanidade: a perda
de alguém que se ama. Não somos de ferro, nem tampouco de pedra mas somos
profissionais capazes de soldar emoções, chorar lágrimas doces ou salgadas e
criar muros para proteger, como melhor for possível, aqueles que cuidamos.
Daqui,
um enfermeiro do Serviço de Pediatria do IPO. Daí, espero que uma alma, aberta
a uma nova visão do lado de cá daquelas portas de vidro.
Imagens retiradas do google.



Lindo texto,descreve na perfeição aquilo que sentimos...
ResponderEliminarBem haja a todos os profissionais desta Instituição que de uma maneira ou de outra contribuem para o bem estar de todos os utentes, eu já trabalhei directamente com eles e sei bem o que sente!
Assinatura: Alguém que trabalha do lado de cá das portas de todos os Pavilhões.... mais uma vez... Lindíssimo texto!
Obrigado Fifas, fico contente que o sentimento que nos é conferido ao trabalhar ali, seja comum. Bem-haja ;)
EliminarBoa noite
ResponderEliminarMuito bom o seu Texto Srº Mário Lopes!
A D O R E I !
Espero que permaneça por muitos e muitos anos no serviço a espalhar sorrisos =) e louvar com os seus textos.
Explica exatamente o que lá se passa. Vive-se e viaja-se nos seus textos! Partilhado!
Muitos parabéns Srº Enf. Mário Lopes!
Com os melhores cumprimentos
João Duque
Muito obrigado Sr João Duque, assim também espero e pretendo! Afinal de contas, quem faz o que gosta não deve prescindir disso não é?
EliminarCumprimentos,
Mário Lopes
É maravilhoso ajudar quem mais precisa! É um excelente contributo. Dar tudo de bom de nós sem nada em troca. Uma pessoa sai de lá com o coração cheio. Sentido de dever cumprido.
EliminarA minha missão é aqui na terra, ajudar!
Com os melhores cumprimentos
João Duque
Bem haja a todos os enfermeiros!!!
ResponderEliminarFelizes os que conseguem "tirar" de si para dar aos outros!
Sempre que saio mais tarde de uma consulta em Sta. Maria, olho para todas aquelas ( imensas) janelas iluminadas e penso...quanta dor, quanto sofrimento, tantas historias que elas poderiam contar....
E faço sempre uma prece pelos doentes e por todos que deles cuidam.........obrigado!!!!!
Obrigado pelas preces e pela atenção que dedica aos doentes e a quem cuida, seja o Hospital de St.ª Maria, ou em qualquer outro local de cuidados de saúde. Acredite que para lá dessas janelas iluminadas (e não conheço essas especificamente) se encontrarão pessoas, todas elas fora do seu lar e em busca do melhor para si, quer profissionais, quer doentes. Por essa razão é importante para eles que alguém torça pelo seu sucesso ou, pelo menos, alívio na dor. Mas acredite, eu que já trabalhei noutros contextos para além da pediatria, existe muita alegria e sorrisos também! Afinal de contas, há que transpor para esses locais, um pouco do que podemos ter "lá fora"! Obrigado pelo seu comentário, pela sua leitura e um bem-haja para si! Tudo de bom!
EliminarHellos!
ResponderEliminarAdmiro tanto quem consegue ter capacidade para cuidar de crianças e ainda mais em situações por vezes tão complicadas. Do fundo do meu coração, um enorme obrigada.
E roubei este último paragrafo "Batalhas essas, que também as perdemos e nem tudo é colorido, é um facto. Resta-nos usar as armas que temos, os dois braços que possuímos e a boca ligada à alma e ao coração, para dar um abraço, ceder um ombro e seja com palavras, ou com silêncio apoiar o processo que é uma das maiores lutas da humanidade: a perda de alguém que se ama. Não somos de ferro, nem tampouco de pedra mas somos profissionais capazes de soldar emoções, chorar lágrimas doces ou salgadas e criar muros para proteger, como melhor for possível, aqueles que cuidamos" que tanto diz mas que ninguém consegue imaginar por vezes a dor que também sentimos ao passar as portas de vidro para ir para casa.
Sim eu admiro quem consegue "despir" tudo o que passou num turno, ao sair pelas portas de um serviço. Pessoalmente levo comigo para casa, muito do que passei no trabalho, mas isso faz parte da minha personalidade! Levamos tanto de mau, como de bom, por isso resta balancear e viver a vida da melhor forma possível :) Obrigado pela leitura e pelo comentário!
EliminarNuma palavra: OBRIGADO! Noutras palavras sempre a mesma: OBRIGADO,quantas vezes forem necessárias para confortar uns profissionais dedicados. Ajudou muito ver esse amor e dedicação, o seu esforço no 7ºCÉU(como eu lhe chamava) ao piso da pediatria. Atenuou muita mágoa,deu muita força, perceber que tudo fazem para cuidar dos nossos meninos. Foram 2 anos a sentir isso,no acompanhamento de uma filha (está bem felizmente)fez-nos sentir capazes de ajudar,de estar bem com nós mesmos e de bem com este problema. Ao Mário,e a todos os que trabalham nesta causa, do hómonio pai Mário : OBRIGADA!!
ResponderEliminarUm enorme obrigada também da minha parte Sr. Mário! É por vocês que ali estamos. Fico feliz que esse percurso tenha sido um sucesso e desejo, que ao longo da vossa vida, a felicidade seja uma constante porque certamente o merecem.
EliminarCumprimentos,
Mário Lopes
Que texto lindissimo Mário.. conseguiste descrever aqui toda a atenção e amor que dedicamos a estas crianças e às suas famílias e também o cansaço e o sentimento de impotência que se faz sentir quando não se consegue chegar a todo o lado e a toda a gente.. acho que mesmo colegas de outros pisos se podem identificar com as alegrias e as tristezas de trabalhar com estas pessoas tão especiais. Tropecei no teu texto e estou feliz por o ter feito. Nao deixes de escrever. Beijinhos Ana Cristina
ResponderEliminarMuito obrigado Ana Cristina :) Não pretendo deixar de o fazer, é algo que faz parte do que sou ;) Até breve, beijinhos.
EliminarMuito obrigado por todos os vossos comentários, pelos vossos agradecimentos. Apesar de tudo não precisam de agradecer porque faço o que faço de coração, e é pelos "pequenos" e suas famílias que ali estou. E é a eles, a vocês que tenho de agradecer porque sou o que sou e consigo fazer o que faço porque assim me permitem. Apenas transpus para "cá" o que sentia ao trabalhar "lá" e fico feliz que tenha sido lido e sentido por cada um de vós! Um bem-haja a todos e que nos permitamos cruzar todos mais vezes, em situações positivas e não associadas à doença oncológica.
ResponderEliminarUm bem haja a todos os enfermeiros que como o Mário dao bons profissionais e continuam a ser optimos seres humamos.
ResponderEliminarMuita força na vossa luta e um beijinho
Os meus Parabéns pelo texto; Os meus Parabéns pela Entrega; Os Meus Parabéns pela análise crua e real daquilo que se passa também convosco. Bravo Mário!!! Que isto não passe despercebido a quem possa ter o condão de mudar as coisas para melhor!!!
ResponderEliminarGrata pelo seu belíssimo texto, conheço bem o sentir de todos, mesmo todos, os que trabalham nesse hospital. Conheço bem o sofrimento, a luta, a coragem, a esperança que vai fugindo... que têm que enfrentar.Obrigada pelo texto, bonito, bem escrito, sentido.
ResponderEliminarChorei lindo são grandes heróis e eu sei PK passei por lá noutro serviço sim mas com o mesmo empenho por parte desses profissionais que merecem grande apreço um bem haja a todos eles
ResponderEliminarMuito obrigado por todos os comentários, de coração!Que a força não falhe e a emoção nunca desvaneça. Cumprimentos
ResponderEliminarObrigada pelo lindo texto! Fez-me recuar alguns anos, e revi-me nestas palavras nos dias/noites em que deixava a família para vir cuidar desta família de cá. Não eram crianças, eram adultos, mas o amor era igual. Foram 14 anos em C7, ri muito, chorei muito e cresci muito.
ResponderEliminarObrigada a todos os anjos mascarados de enfermeiros que trabalham no 7ºandar por trás dessas portas de vidro.
Eu pensei algum tempo antes de escrever o que quer que fosse. Este texto chegou-me através de uma grande amiga minha que esteve a estagiar, há alguns meses, na área de pediatria do IPO. Não posso deixar de me sentir agradecida por ter lido isto, e por saber (no meu intimo já o sabia) que essas crianças estão a ser bem cuidadas. Espero um dia poder vir a fazer a minha parte, não apenas por essas crianças, mas também por todos os doentes de cancro.
ResponderEliminarUm primo meu, que me era realmente querido, faleceu de cancro o ano passado. O sentimento ainda está muito vivo em mim, mas acho que se aprende a viver com esta dor em nós. Ele tinha trinta e sete anos. O mundo considerá-lo-ia um adulto, mas era menino demais para partir. Talvez isto não te (desculpa-me por te tratar por tu, espero que não leves a mal) interesse nada mas, a verdade é que, ler as tuas palavras, lembra-me tantos momentos quanto aqueles que evitei trazer à memória. Eternidades inteiras à espera de saber qual seria o fim da maldita história.
Tal como tu partilhas a tua história, eu partilho a minha. Em breve, será publicado o livro que conta o lado da história dos familiares de doentes de cancro. Talvez devesses escrever um livro que conte todo e cada pormenor do lado dos funcionários do IPO. Decerto, terás muito que escrever. Obrigada pelas palavras. Chegaste à minha alma.
Boa sorte para o futuro. Boa sorte para a vida.
Olá Lara, antes de qualquer outra coisa, quero pedir-te mil desculpas pela demora na resposta ao teu post. Não tive informação de um novo comentário, pelo que só o consegui ver, por acaso, há um ou dois dias.
EliminarQuanto ao que escreveste, muito obrigado por cada palavra. Sinto da tua (não me importo nada que me trates por "tu", até agradeço) parte, um lado humano importante e, a meu ver essencial, para o sucesso da raça humana. Desta forma, mesmo não te conhecendo, aposto que o teu tio que, infelizmente, travou a luta com este adversário que ambos conhecemos, terá sido muito apoiado e feliz. Isso, permite-me dizer, é a melhor lição que levamos da nossa "estadia". Se a capacidade de gostarmos de alguém nos é permitida, é para isto mesmo. Sofremos com a sua perda mas também nos permite dar algo que jamais esquecerão: amor, memórias e, consequentemente: vida.
Permite-me pedir para me manteres informado acerca desse teu livro. Quererei ler, com o maior gosto.
Quanto ao livro acerca da perspectiva dos profissionais, é uma ideia que pondero sim. Resta passar para a escrita. (Obrigado pela dica e pelo tempo dedicado a ler o texto).
Até breve,
Mário
Agora, sou eu que peço desculpa pela demora a responder. :)
EliminarAgradeço-te as palavras. Fico feliz por quereres ler o meu livro. Em principio, será lançado daqui a dois meses. Mas como devo informar-te?
Votos de imenso sucesso!
Cordialmente,
Lara Seixas
Poderás colocar aqui o nome e o local onde o poderei obter, pois terei todo o gosto em ler.
EliminarCumprimentos,
Mário
Lembrei-me de ti. Das tuas palavras.
EliminarGostaria que estivesses presente :) Por isso, convido-te a comparecer no lançamento do meu livro( http://larafilipaseixas.wixsite.com/pedacosdeescrita/single-post/2017/10/30/ANJO-MOTARD---LAN%C3%87AMENTO ). Espero que possas lá estar. Senão, fica para uma outra oportunidade :)
Felicidades e votos de sucesso!
Já estive a ver o dia do lançamento e tudo farei para estar presente prometo! Terei o maior gosto nisso! Muito obrigado pelo convite e tudo farei para estar presente! 😉
EliminarMuito obrigada :) Espero ver-te nesse dia. Seria um privilégio!
EliminarCaro enfermeiro Mário, sem querer esbarrei neste seu texto, talvez os astros se tenham alinhado para que eu lesse as suas palavras. Não o comento porque ainda é cedo, a dor ainda se faz presente a cada palavra descrita, no entanto tenho de manifestar-lhe a minha admiração pela sua dedicação e desejar que nunca a perca de vista enquanto ajuda a tornar suportável a estadia de quem "vive" no 7º piso. Bem Haja.
ResponderEliminarEnfº Mario assim lhe peço que nao deixe nunca de escrever o que sente e o que vive.
ResponderEliminarAjuda muitas pessoas que trilham esses sinuosos caminhos, sem querer ou porque assim a vida lhes exigiu.
Sei que a sua ala é a Pediatria, mas peço a todos os que sao enfermeiros, que ao lerem isto nao fixem so as crianças.
Infelizmente ha imensos idosos, que sao abandonados nos hospitais e lares e que tambem precisam de tudo isso, assim como os adultos que por la passam, seja em que serviço for.
Humanismo é o que falta a tanta gente.
O meu grande sonho é um dia poder fazer voluntariado no IPO, nem que seja por umas horas.
Bem haja Enfº Mario beijinhos
Olá enfermeiro, só á pouco tempo descrobi por acaso seu blogue e este texto é simplesmente a realidade do que se vive no 7°piso, o tempo que passamos aí eu o meu guerreiro Gonçalo Santos,sem o V/ apoio e dedicação não teria sido o mesmo... 💙
ResponderEliminarAgradecemos a todos o carinho e dedicação.🙏💙🙏💙
Continue e nunca deixe de escrever o que sente e ser a pessoa que é.
Lindo texto e tão real. Passadod 9 anos ainda me lembro desse local aonde os profissionais nos recebiam sempre com uma simpatia que nos tranquilizava, apesar das nosas preocupações. Na minha condição de avó so tenho que agradecer todos os dias a maneira e dedicação com que o meu neto foi tratado, O meu muito obrigado. Lembro-me perfeitamente de si. Bem haja sr. enfermeiro.
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